Publicado por: André Barros | 13/09/2008

GRÉCIA: A MEDICINA TORNA-SE CIÊNCIA

GRÉCIA: A MEDICINA TORNA-SE CIÊNCIA

- Hipócrates, pai da Medicina -

Ranulfo Cardoso Jr. ([1])

Com o passar do tempo, a medicina, que era mágica, religiosa e empírica, foi contraposta a uma medicina científica, caracterizada por uma atitude de compreender e explicar. Com a ajuda da observação e da experiência, todos os fenômenos presentes no Ser Humano e relacionados à saúde ou à doença eram estudados. Considera-se a Grécia o berço da medicina científica.

A civilização grega, em seus primórdios, utilizou-se da matemática egípcia e da astronomia babilônica para fundamentar a filosofia e a lógica da medicina. Acreditava na influência dos deuses, nas questões relativas à vida e à morte, e a doença era vista, inicialmente, como castigo divino. Os médicos que se projetavam eram unidos às divindades. As mais antigas informações sobre médicos gregos encontram-se no épico Ilíada (Homero), escrito entre 750 a.C. e 725 a.C.

O mundo grego da era clássica era o mundo do apto e do sadio (apesar de as doenças não serem raras e a expectativa de vida estar em média em torno de trinta anos, a julgar pelas lápides funerárias). O ser humano ideal era uma criatura equilibrada no corpo e na mente, e de proporções definitivamente harmoniosas – não esqueçamos que esta era uma época de grandes artistas, particularmente na escultura. Tal concepção de saúde encontrava também suporte religioso. A medicina grega, baseada na mitologia, associava cura a diversas divindades.

Os gregos cultuavam, além da divindade da medicina, Asclepius, ou Aesculapius, duas outras deusas, suas filhas : Hygieia, a Saúde, e Panacea, a Cura .

Esculápio possuía, portanto, duas filhas que o auxiliavam na arte de curar: Panacéia – versada em conhecimentos sobre todos os remédios da terra, capaz de curar qualquer doença humana (a palavra panacéia é utilizada hoje em dia para significar “o que cura tudo”) – e Hígia (ou Higéia) – responsável pelo bem-estar social, pela manutenção da saúde e prevenção das doenças, cuidava da higiene e da saúde pública (deriva dela o termo hígido = o que é sadio).

Em vários momentos a Mitologia mistura-se com a História, restando à dúvida se Esculápio de fato existiu. Seu nome aparece na Ilíada como um médico famoso, bem sucedido ao tratar feridos na Guerra de Tróia.

No século V a.C., o pensamento humanístico na Grécia tomava consciência de seu próprio valor e de suas possibilidades, havendo campo para o surgimento da medicina científica. A filosofia representou enorme influência, por seu caráter inquisidor e racional. A escola filosófica de Pitágoras (580-489 a.C.), sediada na cidade de Crotona (Itália meridional), proporcionou fundamentos para a medicina científica.

O médico mais famoso da escola de Crotona foi Alcmeon, jovem contemporâneo de Pitágoras, que deu bases científicas à medicina grega. Era um mestre da anatomia e da fisiologia – descobriu os nervos óticos, a trompa de Eustáquio (trompa auditiva que liga o ouvido médio à faringe) e fez a distinção entre veias e artérias. Em sua obra “Sobre a Natureza” ofereceu explicações plausíveis sobre doenças e sugeria meios de prevenção e cura. Entendia a doença como um desequilíbrio do corpo, sendo esta desarmonia decorrente de diversos fatores, como má nutrição (dietas irregulares ou inadequadas) e fatores externos (clima e altitude).

Sobre Hipócrates, pouco se sabe sobre a sua vida.

Hipócrates (460 a.C.), considerado pai da medicina, era filho e neto de médicos, aprendeu medicina com os mesmos, na então famosa Escola de Cós. Substituiu os deuses pela observação clínica de seus pacientes. Foi idealizador de um modelo ético e humanista da prática médica. Criou métodos de diagnóstico, baseado na inquirição (filosofia) e raciocínio (lógica). As descrições de Hipócrates costumavam ser precisas e objetivas. Escreveu diversas obras (a ele atribuiu-se 72 textos e 42 histórias clínicas). As obras éticas e o juramento do médico, usado até os dias de hoje, fazem parte do chamado Corpo Hipocrático (Corpus Hippocraticum).

Alguns autores referem que os vários escritos que lhe são atribuídos provavelmente foram não o trabalho de uma única pessoa, mas sim de várias, talvez ao longo de décadas. De qualquer maneira são escritos ricos em sabedoria e que traduzem uma visão racional da medicina; o texto intitulado “A Doença Sagrada” começa com a seguinte afirmação: A doença chamada sagrada… não é, em minha opinião, mais divina ou mais sagrada que qualquer outra doença; tem uma causa natural e sua origem supostamente divina reflete a ignorância humana”.

Hipócrates desenvolveu extraordinariamente a observação empírica, como o demonstram os casos clínicos que deixou registrados, reveladores de uma visão epidemiológica do problema de saúde-enfermidade. Hipócrates também considerou o modo de vida das pessoas: “são glutões e beberrões, e conseqüentemente incapazes de suportar a fadiga, ou, apreciam o trabalho e o exercício, comem e bebem moderadamente?”

Tais observações não se limitaram ao paciente em si, mas a seu ambiente. Em “Dos Ares, das Águas e dos Lugares”, discute os fatores ambientais ligados à doença; defende um conceito ecológico de saúde-enfermidade, ao mesmo tempo em que enfatiza a multicausalidade na gênese das doenças:

Quem quiser prosseguir no estudo da ciência da medicina deve proceder assim. Primeiro, deve considerar que efeitos cada estação do ano pode produzir, porque todas as estações não são iguais, mas diferem muito entre si mesmas e nas suas modificações. Tem que considerar em outro ponto os ventos quentes e os frios, em particular aqueles que são universais, mostrando bem aqueles peculiares a cada região. Deve também considerar as propriedades das águas, pois estas diferem em gosto e em peso, de modo que a propriedade de uma difere muito de qualquer outra. Usando esta prova, deve examinar os problemas que surgem. Porque se um médico conhece essas coisas bem, de preferência todas elas, de qualquer modo a maior parte, ele, ao chegar a uma cidade que não lhe é familiar, não ignorará as doenças locais ou a natureza daquelas que comumente dominam” , (HIPÓCRATES).

Na Grécia, onde a gente vai encontrar como maior referência a figura de Hipócrates (conhecido como o “pai da medicina”), observamos que a idéia de desequilíbrio (ou disnomia) dos organismos humanos está presente, mas as concepções gregas de saúde e doença são enriquecidas por meio de cuidadosas observações da natureza e pelo nascimento da prática clínica. O equilíbrio (ou isonomia) era conseqüência da harmonia perfeita de quatro elementos: terra, ar, água e fogo. Os gregos estabeleceram correspondências entre os humores (sangue, linfa, bile amarela e bile negra, ou atrabile), seus elementos, qualidades e órgãos-sede. Dessas noções, ficaram para resgate da história somente os qualificativos para os temperamentos: sangüíneo, fleugmático, bilioso e atrabiliário. Sem nenhuma dúvida Hipócrates foi um observador atento, mas não valorizou a experimentação. Há que se destacar o registro lógico e preciso das suas observações, mas ainda, sem metodologia científica (A apoplexia é mais comum entre as idades de quarenta a sessenta anos; a tísica ocorre mais freqüentemente entre os dezoitos e os trinta e cinco anos…”).

Hipócrates referia-se à sua atividade como uma “arte”: “A vida é tão curta, a arte demora tanto a aprender, a oportunidade vai logo embora, a experiência engana e o julgamento é difícil. Para alguns, ele não praticava a ciência médica, mas a ARTE DE CURAR. Uma arte que levou às raias da perfeição, aos limites do possível, e que viria a influenciar o pensamento médico durante muito tempo.

BIBLIOGRAFIA:

GUSMÃO, S. História da Medicina: evolução e importância. Disponível em: http://scholar.google.com.br Acesso em: 22 de julho de 2008.

JAEGER, WERNER Paidéia: a formação do homem grego. 3a ed. Tradução de Artur M. Parreira. São Paulo, Martins Fontes, 1995.

SCILIAR, M. Do mágico ao social: Trajetória da Saúde Pública. Rio de Janeiro: SENAC, 2002. 160p.

SIQUEIRA-BATISTA, Deuses e homens. Mito, filosofia e medicina na Grécia Antiga. São Paulo, Landy, 2003.

SIQUEIRA-BATISTA, R. e SCHRAMM, F. R.:Platão e a medicina.História, Ciências, Saúde . Manguinhos, vol. 11(3): 619-34, set.-dez. 2004.


[1] Ranulfo Cardoso Jr. é médico em Saúde Pública. Desde 2003, ocupa o cargo de Gerente Operacional das DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba. É professor de Epidemiologia na Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba, em João Pessoa, PB (2008).

Publicado por: André Barros | 07/09/2008

Independência do Brasil

Tela a óleo sobre a Independência do Brasil, de François-René Moreaux, que hoje é conservado no Museu Imperial de Petrópolis. Foi executado em 1844, a pedido do Senado imperial.

A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. Podemos citar o caso mais conhecido: Tiradentes. Foi executado pela coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira.

Dia do Fico

Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro I recebeu uma carta das cortes de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal. Há tempos os portugueses insistiam nesta idéia, pois pretendiam recolonizar o Brasil e a presença de D. Pedro impedia este ideal. Porém, D. Pedro respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou : “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico.”

O processo de independência

Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembléia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra, obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino. Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o ” cumpra-se “, ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência.

O príncipe fez uma rápida viagem à Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimento, pois acreditavam que tudo isto poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembléia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole..

Estas notícias chegaram as mãos de D. Pedro quando este estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou : ” Independência ou Morte !”. Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil.

Pós Independência

Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. Sem este dinheiro, D. Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra.

Embora tenha sido de grande valor, este fato histórico não provocou rupturas sociais no Brasil.

O povo mais pobre se quer acompanhou ou entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou desigual.

A elite agrária, que deu suporte D. Pedro I, foi a camada que mais se beneficiou.

fonte: http://www.jornalpontofinal.com.br

Publicado por: André Barros | 06/09/2008

Sobre Hidrocefalia

O que é hidrocefalia?

No interior do cérebro existem espaços chamados de ventrículos que são cavidades naturais que se comunicam entre si e são preenchidas pelo líquido cefalorraquidiano ou simplesmente liquor, como também é conhecido. O termo hidrocefalia refere-se a uma condição na qual a quantidade de liquor aumenta dentro da cabeça. Este aumento anormal do volume de líquido dilata os ventrículos e comprime o cérebro contra os ossos do crânio provocando uma série de sintomas que devem ser sempre rapidamente tratados para prevenir danos mais sérios. Muitas vezes pode ser detectada antes mesmo do nascimento, quando se emprega o exame de ultra-som no acompanhamento da gravidez.

Trânsito liquórico

A principal função deste líquido é proteger o cérebro contra eventuais choques mecânicos, mas também desempenha importante papel na  proteção biológica do sistema nervoso, distribuindo nutrientes e agentes de defesa contra infecções. O liquor é produzido por estruturas glandulares chamadas de plexo coróide e, após circular pelo interior do cérebro, é absorvido pela circulação sangüínea em sua maior parte por corpúsculos localizados ao longo de uma grande veia situada na parte interna do topo do crânio. Para chegar a estas estruturas, o líquido circula pelos ventrículos até sair por pequenos orifícios situados na parte posterior da medula, logo abaixo do quarto ventrículo

Dilatação ventricular


Uma pessoa adulta produz cerca de 100 ml de liquor por dia, em um ciclo ininterrupto de produção e absorção. É um estado de equilíbrio dinâmico (o volume produzido em uma parte do sistema é absorvido simultaneamente em outra parte). Se houver algum problema que obstrua o livre trânsito do líquido, ele se acumulará dentro dos ventrículos. O volume crescente dos ventrículos comprimirá o cérebro contra os ossos do crânio provocando uma série de sinais e sintomas neurológicos.

Por que ocorre a hidrocefalia?

A hidrocefalia ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção e a reabsorção desse líquido. A condição mais comum é uma obstrução da passagem do liquor, seja por prematuridade, cistos, tumores, traumas, infecções ou uma malformação do sistema nervoso como a mielomeningocele. Em casos raros, a causa é o aumento da produção do líquido em vez de obstrução.

A Hidrocefalia pode estar presente ao nascimento (congênita) ou pode desenvolver depois (adquirida).

·         A Hidrocefalia Congênita está presente ao nascimento, embora possa passar desapercebida por anos. Ela se forma quando o cérebro e as estruturas vizinhas se desenvolvem de forma anormal. A causa exata é normalmente desconhecida, mas pode incluir causas genéticas e certas infecções durante a gravidez.

·         A Hidrocefalia Adquirida resulta de traumas ou doenças que acontecem durante ou depois do nascimento, incluindo infecções no cérebro e na coluna vertebral (meningites), sangramento de vasos sanguíneos no cérebro, trauma de crânio, ou tumores e cistos cerebrais. A Hidrocefalia pode acontecer mesmo quando não há nenhum trauma ou doença conhecidos para causá-la.

Tumor cerebral – Tumores do cérebro causam inchaço dos tecidos circundantes, resultando em pobre drenagem do líquor.

Meningite - Esta é uma infecção das membranas que recobrem o cérebro. A inflamação e debridação desta infecção pode bloquear as vias de drenagem causando hidrocefalia.

Prematuridade – Bebês nascidos prematuramente são mais vulneráveis ao desenvolvimento de hidrocefalia do que aqueles nascidos a termo, desde que muitas partes do corpo ainda não estão amadurecidas. A atividade da área que está logo abaixo da linha dos ventrículos no cérebro apresenta um rico suprimento sanguíneo. Seus vasos sanguíneos podem ser facilmente rompidos se o bebê sofrer uma mudança na pressão sanguínea ou na quantidade de fluído no sistema.

Diagnóstico

A Hidrocefalia congênita pode ser diagnosticada durante um ultra-som pré-natal de rotina, mas freqüentemente é descoberta durante a infância ou enquanto bebê. O médico pode suspeitar de hidrocefalia antes de outros sintomas quando uma criança parece ter uma cabeça grande, que parece estar crescendo rapidamente. Se o osso do crânio (fontanela anterior) ainda está aberto, um ultra-som da cabeça pode determinar se o crânio está crescendo devido a Hidrocefalia. Se os resultados do ultra-som forem anormais, uma melhor avaliação é necessária.

O médico irá perguntar pela história clínica da pessoa e fará um exame físico e neurológico. Podem ser obtidas imagens detalhadas do cérebro com uma Tomografia Computadorizada (TC) ou um exame de Imagem de Ressonância Magnética (IRM). Se estas imagens revelam Hidrocefalia ou outros problemas, a criança ou o adulto normalmente são encaminhados a um neurocirurgião para avaliação adicional e tratamento.

Como é o tratamento da hidrocefalia?

A cirurgia de implante de válvula é o tratamento ideal para se retirar o excesso de líquido de dentro do sistema ventricular. A válvula, acoplada a um tubo flexível de silicone, drena o excesso de líquido para a cavidade abdominal, reduzindo a pressão interna dos ventrículos cerebrais.

Em casos especiais (cerca de 1/3 do total), pode ser realizada uma cirurgia chamada de terceiro ventriculostomia. Nesta técnica, produz-se um orifício no assoalho do ventrículo que fica na parte inferior do cérebro. Assim, o excesso de líquido encontrará uma saída alternativa, fazendo baixar a pressão intracraniana.

Cateter de derivação

O tratamento mais comum para este acúmulo de líquido no interior do cérebro é a instalação de um cateter ou tubo de silicone que drenará o excesso de liquor geralmente para a cavidade abdominal (em alguns casos, o líquido é drenado para o átrio cardíaco). Uma das pontas é inserida no interior da cavidade cerebral que contém o líquido. A outra ponta, após ser passada por debaixo da pele do pescoço e do tórax, é inserida na cavidade abdominal. Assim, o excesso de líquido é retirado de dentro do cérebro, aliviando a pressão intracraniana e reduzindo os sintomas neurológicos. Vasos sangüíneos presentes na superfície das alças intestinais absorverão o líquido que o tubo trará do cérebro para o abdômen. Observe que existe um dispositivo entre as duas pontas do cateter que pode ser palpado entre a superfície externa do crânio e a pele da pessoa. É uma válvula que serve exatamente para garantir que o líquido será drenado de dentro para fora do cérebro e não o contrário. Existem vários tipos de válvula à disposição do neurocirurgião atualmente. A escolha do mecanismo dependerá de fatores intrínsecos ao paciente e ao cirurgião.

Complicação

Infelizmente podem ocorrer complicações com o mecanismo de drenagem. A mais comum é a obstrução da ponta inserida dentro do cérebro seja por infecções locais, coágulos sangüíneos ou por precipitação de proteínas presentes na composição do liquor formando verdadeiras rolhas nos orifícios de entrada do cateter. A conseqüência é a parada da drenagem levando ao aumento do volume ventricular e compressão progressiva do cérebro contra a superfície interna do crânio. A pessoa apresentará os sintomas característicos do aumento da pressão intracraniana como distúrbios visuais, cefaléia, náuseas, vômitos em jato, sonolência, convulsões etc., podendo até chegar à morte se não houver pronta interferência médica para sanar o problema. Uma vez constatado o mau funcionamento do cateter pelo neurocirurgião, ele operará o paciente para substituí-lo por um outro. Há muitos casos de pacientes que nunca necessitaram de trocas de válvula ao longo de suas vidas. No entanto, existem casos em que a substituição do sistema foi necessária muitas vezes, independentemente do tipo de válvula ou da técnica cirúrgica empregada.

Quais as conseqüências da hidrocefalia?

Nas crianças pequenas (abaixo de 2 anos), os ossos do crânio não estão soldados ainda e a hidrocefalia se torna óbvia. A cabeça cresce e a fontanela (moleira) pode estar tensa ou mesmo abaulada. O couro cabeludo parece esticado e fino e com as veias muito visíveis. Palpando-se a cabeça, é possível perceber um aumento do espaço entre os ossos do crânio. A criança pode parecer incapaz de olhar para cima, com os olhos sempre desviados para baixo e podendo ainda apresentar vômitos, irritabilidade, sonolência e convulsões. Nas crianças maiores (acima de 2 anos), como os ossos já se soldaram, o excesso de liquor levará a um aumento da pressão dentro da cabeça o que pode ocasionar cefaléia, náuseas, vômitos, distúrbios visuais, incoordenação motora, alterações na personalidade e dificuldade de concentração. Outro sinal comum é uma piora gradual no desempenho escolar. Tais sintomas exigem avaliação médica imediata. Se houver alargamento dos ventrículos cerebrais, ele poderá ser facilmente observado por ultra-sonografia, tomografia ou ressonância magnética.

Prognóstico

A perspectiva depende da causa de Hidrocefalia e normalmente é melhor se o problema é diagnosticado e é tratado cedo. Se a hidrocefalia piora rapidamente ou dura muito tempo, pode causar lesão cerebral e até a morte.

Crianças com Hidrocefalia são mais prováveis de ter déficits de desenvolvimento. Até mesmo depois de tratadas, a maioria das crianças com Hidrocefalia tem inteligência mais baixa, problemas de memória e problemas visuais, incluindo estrabismo (olhos desalinhados). Crianças com Hidrocefalia também podem entrar na puberdade mais cedo que o normal.

Com tratamento apropriado, a sobrevida da maioria das crianças com hidrocefalia é boa e aproximadamente a metade delas tem inteligência normal.

Prevenção

Algumas das causas de Hidrocefalia podem ser prevenidas:

·         Para ajudar a evitar uma lesão grave da cabeça, use um capacete de proteção apropriado ao participar de uma prática esportiva de contato ou outras atividades, como esquiar, patinar, andar de skate ou bicicleta, com um risco de trauma de crânio.

·         Se você estiver grávida, consulte com seu ginecologista assim que você souber que engravidou e faça o pré-natal. Seu médico irá checar algumas possíveis infecções e problemas que possam acontecer durante a gravidez. Visitas regulares também reduzirão o risco de nascimento prematuro.

Publicado por: André Barros | 06/09/2008

Campanha Rubéola!

Brasil Livre da Rubéola

Brasil Livre da Rubéola

A rubéola é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus. A pessoa infectada apresenta febre baixa, manchas avermelhadas pelo corpo e gânglios aumentados no pescoço. É uma doença com boa evolução clínica. No entanto, quando acomete mulheres grávidas, principalmente nos primeiros 03 meses de gestação, período de formação do recém-nascido, cerca de 80% destes bebês apresentará a síndrome da rubéola congênita, com surdez, cardiopatia congênita, malformação cardíaca, catarata, glaucoma e atraso do desenvolvimento.

No ano passado, ocorreram no Estado de São Paulo cerca de 1.600 casos de rubéola, sendo 68% em homens. Por isso com o objetivo de eliminar a rubéola no Brasil contamos com a participação de todos. Se você tem entre 20 e 39 anos de idade, compareça ao posto de vacinação mais próximo e proteja-se!!!.

Publicado por: André Barros | 21/05/2008

O juramento de Hipócrates

O juramento de Hipócrates

O exercício da medicina por mais de 30 anos me concede a liberdade de aconselhar os médicos mais jovens, mesmo consciente da péssima reputação de que os conselhos gratuitos gozam. É que o passar dos anos desperta nos mais velhos o desejo compulsivo de recomendar aos que ensaiam os primeiros passos que sejam mais espertos e evitem os erros que a ingenuidade nos fez cometer.


Está na hora de acabar com o ritual do juramento de Hipócrates nas cerimônias de formatura. Para que manter essa tradição? Os advogados, por acaso, juram que defenderão a justiça? Engenheiros e arquitetos precisam jurar construir casas que não caiam?


O juramento de Hipócrates está tão antiquado que soa ridículo ouvir jovens recém-formados repetirem-no feito papagaios. Que me desculpem os tradicionalistas, mas faz sentido jurar por Apolo, Asclépios, Higéia e Panacéia não fazer sexo com escravos quando entramos na casa de nossos pacientes? Ou não usar o bisturi, mesmo em casos de cálculos nos rins? Ou prometer ensinar nossa profissão gratuitamente aos filhos de nossos professores, como Hipócrates preconizava? Por que não estender esse privilégio a todos os que estiverem dispostos a estudar? Existe visão mais corporativista?


Embora o juramento contenha intenções filosóficas louváveis a respeito da ética no relacionamento com as pessoas que nos procuram em momentos de fragilidade física e psicológica, convenhamos que a visão social do pai da medicina deixava muito a desejar. Ele era médico dos cidadãos gregos e da aristocracia da vizinhança atraída por sua fama merecida; se alimentava alguma simpatia pelo contingente de escravos que constituía a maior parte da população da Grécia naquele tempo, soube disfarçá-la em seus escritos.


Sem desmerecer o valor científico de Hipócrates, observador de raro talento, que fugiu das explicações religiosas e sobrenaturais, deixou descrições precisas de enfermidades desconhecidas na época e abriu caminho para a medicina baseada em evidências, repetir o juramento escrito por ele sem fazer menção ao papel do médico na preservação da saúde e na prevenção de doenças na comunidade é fazer vistas grossas à responsabilidade social inerente à profissão.


Por outro lado, aos olhos da sociedade, a mera existência de um juramento solene dá a impressão de que somos sacerdotes e de que devemos dedicação total aos que nos procuram, sem manifestarmos preocupação com aspectos materiais como as condições de trabalho ou a remuneração pelos serviços prestados, para a felicidade de tantos empresários gananciosos.


Por causa desse pretenso sacerdócio, os médicos se submetem ao absurdo medieval dos plantões de 24 horas, seguidos por mais 12 horas de trabalho continuado no dia seguinte, em claro desprezo à própria saúde e colocando em risco a dos doentes atendidos nesses momentos de cansaço extremo. Outros podem passar por isso uma vez ou outra, mas nunca sistematicamente, todas as semanas, contrariando o mais elementar dos direitos trabalhistas: o de dormir.


O que faz da medicina uma profissão respeitável não são as noites em claro nem o conteúdo do que juramos uma vez na vida, muito menos a aparência sacerdotal, mas o compromisso diário com os doentes que nos procuram e com a promoção de medidas para melhorar a saúde das comunidades em que atuamos.


Para cumprir o que a sociedade espera de nós, é preciso lutar por salários dignos, porque hoje é humanamente impossível ser bom médico sem assinar revistas especializadas, ter acesso à internet, freqüentar congressos e estar alfabetizado em inglês, língua oficial das publicações científicas. Num campo em que novos conhecimentos são produzidos em velocidade vertiginosa, os esforços para acompanhá-los devem fazer parte de um projeto permanente. Medicina não é profissão para aqueles que têm preguiça de estudar.


Apesar de absolutamente necessário, o domínio da técnica não basta. O exercício da medicina envolve a arte de ouvir as pessoas, de observá-las, de examiná-las, interpretar-lhes as palavras e de discutir com elas as opções mais adequadas. O tempo dos que impunham suas condutas sem dar explicações, em receituários cheios de garranchos, já passou e não voltará.


Talvez a aquisição mais importante da maturidade profissional seja a consciência de que a falta de tempo não serve de desculpa para deixarmos de escutar a história que os doentes contam. De fato, muitos deles se perdem com informações irrelevantes, embaralham queixas, sintomas e, se lhes perguntamos quando surgiu a dor nas costas, respondem que foi no casamento da sobrinha. Nesses casos, o médico competente é capaz de assumir com delicadeza o comando do interrogatório de forma a torná-lo objetivo e exeqüível num tempo razoável.


Nessa área, sim, temos muito a aprender com os velhos mestres. Hipócrates acreditava que a arte da medicina está em observar. Dizia que a fama de um médico depende mais de sua capacidade de fazer prognósticos do que de fazer diagnósticos. Queria ensinar que ao paciente interessa mais saber o que lhe acontecerá nos dias seguintes do que o nome de sua doença. Explicar claramente a natureza da enfermidade e como agir para enfrentá-la alivia a angústia de estar doente e aumenta a probabilidade de adesão ao tratamento.


Muitos procuram nossa profissão imbuídos do desejo altruístico de salvar vidas. Nesse caso, encontrariam mais realização no Corpo de Bombeiros, porque a lista de doenças para as quais não existe cura é interminável. Curar é finalidade secundária da medicina, se tanto; o objetivo fundamental de nossa profissão é aliviar o sofrimento humano.

http://drauziovarella.ig.com.br/artigos/artigos_indice.as

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